Portal do Agro
Setor é prioritário para abastecimento de alimentos e combustível, mas há relato de perda | EBC
Destaque Notícias

Produtor rural tem que tomar medidas imediatas para minimizar crise econômica

Oswaldo Junqueira Franco e José Luiz Rampazo (*)

A pandemia da COVID-19 vem trazendo impactos sem precedentes aos mercados e à vida de milhões de pessoas em escala global, e no agronegócio não é diferente.  Apesar de ser um setor considerado prioritário para abastecimento de alimentos e combustível, muitos agentes já têm relatado perdas resultantes do isolamento social e da variação dos preços das commodities, do dólar e do petróleo, e com índices de aversão ao risco batendo recordes.

As altas taxas de contágio da COVID-19 levaram governos de vários países, incluindo os EUA, a adotar medidas de quarentena. Assim, a crise atual afeta a economia de duas formas: tanto pelo lado da oferta, já que a produção sofre interrupções por parte da mão-de-obra afastada; quanto pelo lado da demanda, pois os comércios fechados por tempo indeterminado e pessoas em isolamento afetam de forma significativa o consumo.

Em relação ao agronegócio brasileiro, estamos finalizando uma safra recorde de quase 124 milhões de toneladas de soja, e as ações de campo seguem a todo vapor para o plantio da segunda safra. A temporada de cana-de-açúcar está se iniciando, com queda de preços a despeito do mercado apertado. Em vista da grande interdependência dos mercados globais e aos aspectos relacionados à segurança alimentar, não acreditamos em uma interrupção dos fluxos comerciais.

Entretanto, nos preocupam as consequências que os preços em queda e do dólar alto trarão aos produtores para a formação de custos e definição de margens esperadas para a próxima safra (2020/21). Apenas para ilustração, a saca de soja era vendida em março de 2019 por quase U$ 20, ajustando-se a preço e câmbio de 2020, essa mesma saca vale atualmente pouco mais de U$ 17, uma queda de quase 13%.

Em vista desse cenário, nossas recomendações aos produtores cobrem três grandes tópicos: liquidez; performance e custos. Com maior aversão ao risco, os produtores devem ser cautelosos e tomar medidas efetivas de mitigação desse cenário.

Em primeiro lugar, deve assegurar liquidez para o seu negócio, sacando linhas de crédito disponíveis e contratando linhas já compromissadas, reforçando o caixa. Em segundo lugar, tomando medidas que assegurem o funcionamento do negócio, adotando todas as cautelas necessárias para a sua segurança e sustentabilidade, de forma a não interromper a produção e seu escoamento. Por fim, estar atento aos preços dos produtos e seus efeitos nos custos de formação para a safra 2020/21, avaliando a possibilidade de margens negativas.

Sugerimos ainda algumas ações para a gestão e preservação de caixa. Em momentos como este, vale a máxima “cash is king” (o caixa é o rei). O produtor deve realizar um diagnóstico criterioso de sua condição de caixa e de necessidades de liquidez para o curto prazo. Se possível, suspender investimentos momentaneamente. Deve atualizar a previsão do caixa, analisando cenários e sensibilidade – e se aquele pagamento não entrar? E se o dólar subir mais ou cair? – e também revisar instrumentos financeiros, analisar a sua flexibilidade e possíveis fontes adicionais de financiamentos versus disponibilidade de garantias.

Na sequência, o produtor deve elaborar um plano financeiro claro e assegurar uma comunicação efetiva com os seus financiadores, em vista de uma provável retração do crédito, que fica mais difícil e mais caro. Vale estar atento para os efeitos da crise nos demais elos da cadeia produtiva, analisando o risco daqueles a quem concede crédito/prazo. Entregar e ter atrasos no recebimento pode acontecer, abrindo “buracos” no seu fluxo de caixa. 

Finalmente, deve assegurar a sustentabilidade das ações tomadas, controlando suas posições financeiras em cenários que mudam constantemente; melhorando os processos de tesouraria (incluindo aqui recursos tecnológicos), e buscando a aprendizagem contínua para o ajuste dos planos de médio e longo prazos.

São ações simples, que devem ajudar os produtores e o agronegócio brasileiro a superar essa crise. Que temos certeza, será superada!

Os autores

Oswaldo Junqueira Franco e José Luiz Rampazo, economistas e sócios da Agrobrain Consultoria
DEIXE SEU COMENTÁRIO ABAIXO:

Publicações Relacionadas

Solenidade marca 10 anos do programa federal de aquisição de alimentos

Redação Portal do Agro

Jantar com produtores rurais marca lançamento da Potência Agrícola no Amapá

Redação Portal do Agro

Representante do agronegócio comemora resultados da viagem presidencial à Índia

Redação Portal do Agro