O Chile confirmou o primeiro foco de gripe aviária (H5N1) em uma granja comercial de postura localizada no município de Talagante, região metropolitana de Santiago, capital do país. A informação foi divulgada pelo Serviço Agrícola e Pecuário do Chile (SAG) por meio do seu site oficial.
A influenza aviária é uma doença causada por um vírus que atinge principalmente aves, como galinhas, perus, patos e aves silvestres. A capacidade de dispersão e os sinais clínicos provocados pela influenza, em especial essa cepa (H5N1), causa grande preocupação ao setor avícola do continente, pois além da morte dos animais contaminados, o vírus pode impactar contundentemente na produtividade dos animais afetados. Por isso, quando o vírus é identificado em criações comerciais, ou mesmo perto delas, o caso é tratado como emergência sanitária e medidas de contingência são imediatamente adotadas.
Após a confirmação em Talagante, o Chile suspendeu imediatamente a certificação para exportações de produtos avícolas. Com isso, o país fica temporariamente impedido de vender carne de frango, ovos e outros derivados de aves para vários mercados internacionais. A decisão faz parte do protocolo de emergência e atende as regras sanitárias dos países importadores. Essas medidas visam evitar a propagação da doença para esses países por meio da carne e/ou seus derivados. Paralelamente a isso, foram iniciados protocolos de erradicação da aves suspeitas, com abate, desinfecção das instalações e controle rígido de trânsito na região.
E O BRASIL?
O Brasil é o maior exportador mundial de carne de frango e depende da confiança dos compradores externos. Para reduzir riscos, o governo prorrogou por mais 180 dias o estado de emergência zoossanitária em todo o território nacional por causa do vírus H5N1, tipo de influenza aviária de alta patogenicidade. Isso permite ao MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) agir com rapidez, reforçar a vigilância em aves silvestres e comerciais e atuar em conjunto com todo o setor produtivo, bem como estados e municípios.
Os casos no Chile servem de alerta para toda a América do Sul. Para o Brasil, mostram a importância de manter a biosseguridade nas granjas e de impedir a entrada do vírus nos plantéis comerciais. Lembra ainda a necessidade de se manter um sistema de fiscalização zoosanitáira Federal e Estaduais em tamanho de efetivo e recursos para atender ao tamanho da pecuária brasileira. Ao mesmo tempo, a suspensão das exportações chilenas pode abrir uma oportunidade: alguns países podem aumentar suas compras de carne de frango e ovos brasileiros, desde que o Brasil continue controlando bem a doença e preservando sua imagem sanitária.

