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Soja: redução de área plantada causa fuga de investimentos no Amapá

No biênio 2021/2022, ocorreu uma queda brusca na área de soja cultivada no estado do Amapá, considerado uma das últimas fronteiras agrícolas do país, tendo como causa a burocracia estatal relacionada à regularização de terras e ao licenciamento ambiental, resultando na fuga de investimentos para outros estados da região, sobretudo para o estado de Roraima.

O preço da saca de soja seguiu uma tendência de alta nos últimos anos provocada por diversos fatores, desde de clima à diplomacia internacional. Entre eles, geadas prematuras e seca nos EUA reduziram a produção e, consequentemente, a oferta do grão em escala global; o reaquecimento da demanda chinesa, fruto da recuperação do rebanho suíno afetado fortemente pela PSA, em 2019; os conflitos armados entre Rússia e Ucrânia que, por sua vez, alteraram os custos da cadeia da soja em escala global, desde o fornecimento no mercado de insumos, a exemplo dos fertilizantes, igualmente forçando a colocação de derivados da soja como um bem substituto de diversos produtos: biodiesel no lugar de combustíveis fósseis fornecidos pela Rússia; e óleo de soja no lugar do óleo de girassol produzido pela Ucrânia; sem falar na afetação do escoamento de bens relacionados na região do Mar Negro, onde se chegou ao fechamento de portos por algum período. Todo esse cenário contribuiu para que o preço da saca de soja de 60 Kg chegasse ao incrível valor de R$ 203,22 (Sharbel).

A série histórica de produção da oleaginosa no Amapá inicia em 2012, quando a área planta foi de 2,2 mil hectares, safra de 5,3 mil toneladas, com o Valor Bruto de Produção (VBP) de R$ 6,18 milhões; já em 2013, foram 5,6 mil hectares, safra de 14,1 mil toneladas e VBP de R$ 14,1 milhões; em 2014, 11 mil hectares, safra de 23,7 mil toneladas e VBP R$ 21,33 milhões; em 2015, área de 11,12 mil hectares, safra de 29,4 mil toneladas e VBP de R$ 29,4 milhões; em 2016, foram 14,04 mil hectares, safra de 33,7 mil toneladas e VBP de R$ 44,93 milhões; em 2017, foram 19 mil hectares plantados, safra de 57 mil toneladas e VBP de R$ 57 milhões; em 2018 foram 20,3 mil hectares, sagra de 60,9 mil toneladas e VBP de R$ 81,6 milhões; em 2019 e em 2020 a área plantada foi a mesma, estagnando em 20,3 mil hectares, com variações nos preços da saca de soja que ficaram entre 5% e 7%.

Os anos de 2021 e 2022, problemas no licenciamento ambiental das áreas produtivas e na regularização fundiária fizeram a área plantada cair em 76,35%, chegando a 4,8 mil hectares, no momento em que o preço no mercado internacional disparou, pois, a crescente demanda foi maior do que a oferta, assim, a produção amapaense perdeu a oportunidade de rentabilizar na alta e de se tornar mais atrativa para investidores.

Em 2021, por exemplo, a saca de 60 Kg de soja foi vendida a R$ 166,00, o que geraria um VBP de R$ 168,49 milhões. No entanto, com a queda acentuada de área plantada, o VBP ficou em R$ 39,84 milhões, ou seja, R$ 128,65 milhões a menos em uma produção de riqueza basilar, dinheiro privado que retroalimentaria várias cadeias produtivas que vão desde insumos agrícolas, serviços, máquinas e equipamentos, combustíveis, imóveis e outros.

 A maior perda aconteceria em agosto de 2022, quando a cotação internacional da saca do grão chegou a R$ 203,22 e o estado estagnou na queda do ano anterior, com plantio de 4,8 mil hectares, safra de 14,4 mil toneladas e um VBP de R$ 48,77 milhões. Assim, se o Amapá tivesse pelo menos mantido a área plantada em 20,3 mil hectares, teríamos um VBP de R$ 206,27 milhões, ou seja, deixou de produzir riqueza equivalente a R$ 157,5 milhões.

Não por acaso, o estado consta em último lugar no Ranking de Competitividade dos Estados Brasileiros, e um dos fatores está justamente no pilar Sustentabilidade Social, onde despencou 5 posições (22º colocado) no índice Inserção Econômica, enquanto o estado que mais cresceu no índice foi Roraima, subindo 12 posições (10º colocado).

Empresas produtoras, multiplicadoras, pesquisadoras, indústrias, fornecedoras de insumos e tantas outras passaram a deixar o Amapá e se deslocando para Roraima em busca da segurança jurídica e incentivos necessários para se desenvolverem em uma região com características similares, inclusive históricas, aproveitando a expertise adquirida no trabalho realizado nas proximidades da Linha do Equador.

Juan Monteiro

Jornalista, Especialista em Marketing do Agronegócio e Economia do Agronegócio

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