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Crise na Venezuela leva semente ao campo brasileiro antes da colheita

A instabilidade política na Venezuela voltou ao centro do noticiário internacional após a intervenção direta dos Estados Unidos no país vizinho. Para além do embate diplomático e ideológico, o episódio revela um dado objetivo que interessa diretamente ao produtor rural brasileiro: crises geopolíticas não respeitam cercas, fronteiras ou discursos, elas chegam como custo.

No agronegócio, onde a previsibilidade é condição básica para planejar safra, frete e exportação, qualquer ruptura no eixo energia–logística–comércio–risco se converte rapidamente em pressão sobre margens. É exatamente esse o cenário que se desenha a partir da Venezuela.

A Venezuela ocupa posição estratégica no mercado de petróleo pesado e, quando sanções, embargos ou intervenções interrompem fluxos de exportação, o mercado reage com volatilidade, refletindo imediatamente no preço do petróleo e, por consequência, no diesel, principal insumo energético do agro brasileiro.

O efeito sobre o combustível é direto, pois, com o preço mais caro, eleva o custo das operações no campo, do preparo do solo à colheita, e encarece o transporte da produção, fazendo o produtor sentir o impacto antes mesmo de negociar sua safra.

O agronegócio brasileiro é altamente dependente de uma logística eficiente nas rodovias, hidrovias e portos, formando um sistema sensível a qualquer aumento de custo energético ou de risco internacional. E regionalmente, no Arco Norte, onde o Brasil vem consolidando sua estratégia de escoamento de grãos, a elevação de fretes e seguros logísticos pode comprometer ganhos de competitividade, gerando um resultado é um paradoxo conhecido, onde produz-se mais, mas ganha-se menos.

Estados do Norte mantêm relação comercial direta com a Venezuela, sobretudo no fornecimento de alimentos e produtos do agro. Em momentos de instabilidade, esse comércio se torna vulnerável. A final, mudanças repentinas em regras, tarifas, capacidade de pagamento e demanda afetam produtores e empresas brasileiras que operam na fronteira, e risco não está apenas na perda de mercado, mas na insegurança contratual, que desestimula investimentos e amplia a cautela.

Crises internacionais aumentam o chamado prêmio de risco regional, e isso significa seguros mais caros, contratos mais rígidos, maior exigência de garantias e retração de compradores. Além disso, agronegócio, embora tecnicamente eficiente e produtivo, não opera isolado do ambiente internacional. Quando a geopolítica entra em turbulência, o capital se protege e o custo dessa proteção recai sobre quem produz.

A crise venezuelana, agravada pela ação direta dos Estados Unidos, expõe que o agronegócio brasileiro não escolhe lados em disputas geopolíticas, mas sempre paga a conta. Pelo mesmo, ignorar esse fator é tratar a produção rural como atividade desconectada do mundo. Na prática, cada saca colhida carrega embutidos os custos da energia, da logística, do comércio e do risco internacional.

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