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O IMPACTO DO EL NIÑO 2023/24 NO AGRONEGÓCIO BRASILEIRO

O El Niño é um fenômeno climático de grande escala que afeta o clima em todo o mundo, incluindo o Brasil. Seus impactos e a possibilidade de um Super El Niño em 2023/24 têm gerado preocupações e expectativas no agronegócio brasileiro.
O impacto deste El Niño na produção agrícola e pecuária poderá ser bastante significativo. O fenômeno que altera os volumes e a distribuição das chuvas e eleva a temperatura nas principais regiões produtoras tende a ser mais forte nesse biênio e os impactos sobre a produção poderão ser sentidos pelos produtores e também pela população, com perdas produtivas, elevação nos custos de produção e consequente aumento no preço dos produtos para o consumidor final.
ENTENDENDO O EL NIÑO
O El Niño é um fenômeno climático decorrente do aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial acima da média histórica. Esse aquecimento afeta os padrões dos ventos e das correntes oceânicas, provocando mudanças no clima global. No Brasil, o El Niño é frequentemente associado a alterações na distribuição das chuvas, com aumento em algumas regiões e veranicos em outras, mas em ambos os casos, com considerável elevação na temperatura.
IMPACTO NO AGRONEGÓCIO BRASILEIRO
O agronegócio é um dos pilares da economia brasileira e há anos vem contribuindo significativamente com o PIB do país em taxas superiores a 25%. Portanto, qualquer alteração nas condições climáticas pode ter impacto direto na produção agrícola e, por conseguinte, na economia do país. Sobretudo quando medidas mitigatórias são negligenciadas pelo estado.  Mas para entendermos um pouco mais sobre esse fenômeno, apresento algumas maneiras pelas quais o El Niño pode afetar o agronegócio brasileiro:
Chuvas Irregulares

O El Niño geralmente traz consigo mudanças na distribuição das chuvas. Em algumas regiões do Brasil, isso pode resultar em chuvas mais intensas, levando a inundações e erosão do solo e até desastres. Em outras regiões, a falta de chuvas pode causar secas, prejudicando a produção de culturas e colocando as populações em situações de restrição hídrica.

Aumento da Temperatura

El Niño está associado ao aumento das temperaturas. O que pode afetar o desenvolvimento de algumas culturas, como o milho e a soja, sensíveis ao calor excessivo. Além disso, o aumento da temperatura pode levar a uma maior evaporação da água no solo, agravando os problemas de seca.

Impacto na Produção de Grãos

O Brasil é um grande produtor de grãos, como soja e milho, fundamentais para a economia agrícola do país. Qualquer alteração nas condições climáticas pode impactar negativamente a produção dessas culturas, afetando os agricultores e a disponibilidade de alimentos no mercado. Vale lembrar que a produção de frango, ovos, suínos, carnes e leite tem relação direta com a disponibilidade de soja e milho, componentes importantes na dieta dessas espécies.

Doenças e Pragas
A produção em climas tropicais é sabidamente mais desafiadora, cara e complexa que em regiões temperadas e frias. Isso é ainda mais potencializado quando mudanças climáticas recorrentes, como o El Niño, criam ambiente favorável ao surgimento de doenças e pragas que afetam as culturas e levam os produtores a ajustarem suas práticas e utilizarem insumos que elevam os custos de produção.
Preços das Commodities
O impacto do El Niño na produção agrícola brasileira pode afetar os preços das commodities no mercado global. Oscilações na oferta de produtos agrícolas brasileiros podem influenciar os preços internacionais, afetando as exportações e a balança comercial do país.
MITIGANDO OS EFEITOS DO EL NIÑO
Para mitigar os efeitos do El Niño no agronegócio brasileiro, é fundamental adotar estratégias de gestão de riscos que incluem:
  1. Investimento em Tecnologia: O uso de tecnologia, como previsões meteorológicas avançadas e sistemas de irrigação eficientes, pode ajudar os agricultores a se adaptarem às mudanças nas condições climáticas.
  2. Diversificação de Culturas: Cultivar uma variedade de culturas resistentes a diferentes condições climáticas pode ajudar a reduzir o risco de perdas significativas em caso de secas ou inundações.
  3. Seguro Agrícola: Contratar seguros agrícolas pode ser uma medida de proteção financeira contra perdas causadas pelo clima. Me espanta a letargia do estado que frente aos iminentes impactos do El Niño ainda não apresentaram propostas no que se refere a investimentos no seguro agrícola.
  4. Investimento em Infraestrutura: Melhorar a infraestrutura hídrica e de armazenamento de água é crucial para enfrentar períodos de seca. Igualmente importante é reforçarmos os infestimentos e linhas de crédito para a construção de armazens graneleiros de modo a aumentar os estoques de passagem e melhorar a segurança alimentar como um todo. Há anos se discute esse grande deficiência do país mas é em momentos de reveses climáticos que esse ponto nevrálgico fica ainda mais exposto.
  5. Monitoramento Ambiental: Acompanhar de perto as mudanças climáticas e as condições do solo é essencial para tomar decisões informadas.
EM RESUMO
O El Niño é um fenômeno climático recorrente e tem um impacto significativo no agronegócio mundial. As mudanças nas chuvas e temperaturas afetarão certamente as nossas principais culturas e, por consequência, a disponibilidade e o custo dos alimentos. No entanto, com o uso de tecnologia, estratégias de gestão de riscos e investimentos adequados, é possível minimizar os efeitos adversos do El Niño. A adaptação e a resiliência são fundamentais para garantir a sustentabilidade do agronegócio brasileiro diante das incertezas climáticas e exigem linhas de crétido para investimentos que garantam a estabilidade na produção e disponibilidade de alimentos. E sabemos nós que não há alimento que não tenha sua origem direta ou indireta no campo, então: olho no agro!
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