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Faculdades e perspectivas de empregos no agronegócio do Amapá

Diversas instituições de ensino superior voltam a atenção para o setor produtivo que influencia o mercado de trabalho em várias áreas profissionais e movimenta investimentos na abertura em novos negócios no estado do Amapá com o impulsionamento do setor agropecuário, nesses últimos três anos.

O agronegócio brasileiro tem se demonstrado pujante e tem se posicionado como um dos mais importantes no mercado mundial, além de ser o principal setor de sustentação da economia do país nos anos de crise representando 23,8% de nosso PIB (Produto Interno Bruto), e empregando 37% de toda a mão de obra nacional, ocupando pessoas não somente no campo, mas sobretudo nas cidades.

No Amapá, em três anos, o PIB do setor agropecuário cresceu 25% e, levando em consideração as atividades do agronegócio que alcançam os serviços e a indústria, estima-se 9% do geral. Neste sentido, a empregabilidade começa a sentir esses efeitos sensíveis e as instituições de ensino buscam atender a demanda emergente de qualificação de pessoas para o posicionamento no mercado de trabalho.

Universidade Federal do Amapá

A Unifap iniciou a organização do Centro de Ciências Agrárias, que abrigará os cursos de Zootecnia, que trabalha na produtividade e rentabilidade da criação de animais e produtos de origem animal, como ovos, carne e laticínios; Medicina Veterinária, que cuida da saúde, alimentação e reprodução de rebanhos, e inspeção da produção de alimentos de origem animal; e Engenharia Agronômica, que realiza o melhoramento e conservação da qualidade e produtividade de plantações e rebanhos. São cursos que podem tornar a universidade uma verdadeira agência de desenvolvimento econômico e social por focar no aprimoramento de conhecimentos e tecnologias através de cursos voltados à produção de alimentos.

Instituto Federal do Amapá – Polo Porto Grande

O IFAP, através do Polo Porto Grande, lançou no início do primeiro semestre de 2018, o Bacharelado em Engenharia Agronômica com 40 vagas disponíveis e duração de 4 anos e, segundo o instituto, contém laboratórios, salas e uma fazenda experimental com canteiros de plantio de hortaliças, cultivo de beterraba, rúcula e macaxeira, além de áreas com plantas para a adubação.

A região onde se encontra o município de Porto Grande é um dos principais polos na produção de hortifrutigranjeiros e necessita de mão de obra qualificada para tecnificação e elevação da produtividade. As projeções demonstram que um profissional de Engenharia Agronômica tenha um rendimento em torno de R$ 4.500,00 e R$ 16.000,00, conforme a função e cargo ocupados no sistema produtivo.  

Universidade Estadual do Amapá

Na UEAP, encontra-se em funcionamento 05 engenharias utilizadas diretamente no agronegócio que são Engenharia Química, que trabalha desde a aplicação de insumos no campo até os processos agroindustriais e transformações físico-químicas; Engenharia de Produção, que cuida de sistemas de abastecimento, gestão controle de qualidade e rentabilidade, gerenciamento de custos produtivos e de recursos humanos;  Engenharia Ambiental, área do conhecimento que procura conciliar o desenvolvimento da produção com o uso sustentável dos recursos naturais e proteção da saúde humana, minimizando possíveis danos causados ao meio ambiente pelas atividades produtivas; Engenharia Florestal, atua no gerenciamento da produção de mudas, planeja o plantio e realiza pesquisas para o melhoramento da genética das espécies com o acompanhamento de profissionais de biotecnologia, contribui na recuperação de áreas degradadas e ajuda no controle e avaliação de impactos ambientais das atividades produtivas; Engenharia de Pesca, com trabalhos focados à pesca extrativista no que tange ao ordenamento pesqueiro, ecológico, dinâmica de populações e navegação; além do recém aprovado curso de Engenharia Agronômica iniciando brevemente.

Faculdades privadas

As faculdades também já enxergaram esse novo mercado para o Amapá e a necessidade das pessoas estarem preparadas para o mesmo, neste sentido, instituições privadas já oferecem cursos de especialização nas áreas de Georreferenciamento, necessário sobretudo para contribuir no processo de regularização fundiária por qual passa o Amapá, inclusive com a Lei recentemente aprovada, sancionada e em processo de regulamentação; e o curso Agroindústria, com o objetivo formar profissionais para a gestão dos processos de realização de produtos com base no beneficiamento de matérias-primas do estado do Amapá, a exemplo dos grãos, carnes, frutas, e leite.

Abrimos um parêntese para a atual tendência das agroindústrias se concentrarem no município de Santana, devido à proximidade com o porto e a existência de um distrito industrial, representando um menor custo logístico e tributário. Seguem essa tendência empresas como a Caramuru Alimentos (grãos), a Cianport (grãos), a Soreidom (grãos), a Sambazon (açaí), a Amcel (madeira), a Três Amores (laticínio), dentre outras.

Cursos online

Instituições de ensino superior de peso oferecem cursos à distância, incluindo a Universidade de São Paulo (USP) e a Pontifícia Universidade Católica (PUC), que disponibilizam graduações de Gestão do Agronegócio e outros cursos ligados ao setor primário. Além disso, diversas outras faculdades ofertam graduações e especializações em áreas contábeis, gestão, direito, marketing, tecnologia da informação e muitas outras áreas do conhecimento com o foco de atender as demandas de trabalho no agronegócio.

Contexto favorável ao desenvolvimento do Agronegócio no Amapá

O aumento da produção agropecuária no Brasil nasce da necessidade de suprir a demanda mundial por alimentos criando a tendência de expansão logística e produtiva para o norte brasileiro, no projeto chamado Arco Norte, atraindo investimentos devido aos fatores porto, terra e clima. Hoje, o Amapá produz grãos de soja e milho em 20 mil hectares, podendo chegar a 400 mil hectares e gerar aproximadamente 55 mil empregos diretos e indiretos.

Soma-se a esse contexto a saída do Amapá e do Brasil da zona de risco da febre aftosa, abrindo novos mercados para os produtos amapaenses, sobretudo à cultura bubalina e seus derivados, atraindo investimentos e aprimorando a produção local gerando a abertura de novos negócios e, consequentemente, mais oportunidades no mercado de trabalho.

 

Juan Monteiro

Jornalista e Administrador

 

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