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Marcus Rezende: Entalamento do capim, um erro comum que deve ser evitado

Por Marcus Rezende *

Um erro muito comum na pecuária de corte, no manejo das pastagens, é errar a mão no momento da entrada ou saída dos animais das pastagens, hora baixando o capim além do limite, hoja não pastejando o bastante, deixando o capim entalar.

Ambos os erros acabam por diminuir a capacidade de lotação dos pastos. O sobrepastejo (pastejo muito baixo) tende a minar gradativamente o vigor do capim, fazendo a planta lançar mão das suas reservas e degradando a pastagem lentamente, perdendo vigor para as rebrotas e exigindo a reforma das pastagens. O outro erro é o subpastejo, um nome bonito para dizer que não se está pastejando o capim até a altura necessária, fazendo o pasto ficar com uma boa cobertura de massa, mas boa parte dessa massa é comporta por talos. Isso além dos talos serem mais ricos em fibras de baixa digestibilidade, baixo valor nutricional ou seja: o pasto fica algo, mas de muito baixa qualidade e, principalmente, inacessível aos animais, afinal: boi não come talo, come folha!

Muitos produtores ainda têm em mente que pasto bom é pasto alto, mas a coisa não é bem assim. Pasto bom é pasto bem manejado, em que se aproveita o capim ao máximo, sem deixar ele baixar para se ver o chão, tampouco alto que a planta lance talos ou o animal precise levantar a cabeça para comer a ponta do capim.

O manejo correto, permitindo que os animais comam o capim até o limite de cada cultivar é algo que, combinado com o tempo correto de descanso e recuperação da pastagem, permite a maximização do uso da forragem sem abalar a longevidade do pasto. O rodízio de pastagem, a divisão em pastos menores são ferramentas muito úteis nesse objetivo e não importa se por cercas tradicionais ou cercas elétricas, quando bem manejadas, ambas se encaixam como uma luva para maximizar o uso das pastagens.

CERCA ELÉTRICA

Ela apresenta uma série de vantagens além do custo, mas a que mais me agrada é a mobilidade que ela dá ao produtor. Mas antes de lançar mão dessa tecnologia, eu recomendo ao amigo produtor conhecer a tecnologia em uso no campo, conversar com quem faz uso, visitar uma propriedade, discutir com um técnico sobre as vantagens e benefícios para somente depois lançar mão da tecnologia. Digo isso para que futuramente não venhamos a culpar a tecnologia por falhas no manejo, implantação ou assistência técnica. A tecnologia é boa, mas é preciso saber usá-la.

PERDI A MÃO NO MANEJO E MEU PASTO ENTALOU

Essa é uma afirmação que ouço com mais frequência que gostaria e a solução que algumas vezes apresento faz muito produtor torcer o nariz para a minha sugestão. Quando deixamos o capim crescer além do limite é preciso baixá-lo a todo custo: a primeira opção é aumentando a lotação naquele pasto específico até que os animais baixem o capim a uma altura aceitável. A outra opção, a que causa estranheza em muitos produtores, é por meio do uso de um equipamento esquecido e até considerado “medieval” por muitos produtores e técnicos; a ROÇADEIRA! Esse é um implemento que deve ser usado para baixar o capim quando os talos ganham mais espaço que as folhas. E quando perceber o capim entalado, que não demore para usar, pois as plantas tendem a lançar mais talos para que as folhas acessem a luz do sol, ou seja: quando mais tempo demora para eliminar os talos, mais talo e menos folha se tem.

Entrando com a roçadeira no limite do capim cultivado é evidente que um pouco de folha será cortado, mas o fundamental é que os talos também são baixados e, ao lançar novas brotações, o capim produz novas folhas, objetivo de quem deseja bons pastos!

É certo que a boca do gado é a melhor maneira de aproveitar as folhas e evitar os talos, e por isso o produtor deve estar atendo à altura do capim e não ter pena de aumentar a lotação nos casos de o capim estar sob risco de passar da altura e começar a entalar. Se um pasto passa por essa situação com certa frequência, acende o alerta para a necessidade de dividir esse pasto, pois como os animais têm seletividade no pastejo, muito provavelmente há uma área de pasto sobrepastejado e outra subpastejada; então: cerca nele!

Sucesso…

(*) Marcus  Rezende é Médico Veterinário com Mestrado em Ciência Animal, MBA em Gestão Empresarial e Marketing com mais de 15 anos de experiência nos mercados Brasileiros e América Latina. Hoje é colunista do Canal Terra Viva, do grupo Bandeirantes de Comunicação, além de Gerente de Trade Marketing de uma da maiores multinacionais do Agronegócio mundial. Autor e coautor de livros e cartilhas voltadas ao setor do agronegócio e saúde animal, além de diversos artigos científicos, Marcus é o nosso novo colunista.
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