O recente surto de febre aftosa na China pode trazer boas novas aos pecuaristas brasileiros. Com dois focos confirmados em rebanhos bovinos e a presença de um tipo de vírus nunca visto no país asiático (SAT-1), o mundo todo está de olho em como as autoridades chinesas vão lidar com o caso e no que pode acontecer com o comércio internacional de carnes. E o Brasil pode sair ganhando, se souber aproveitar as oportunidades.
A China não é somente um dos maiores importadores e consumidores de carnes do mundo, é também dos grandes produtores. Quando há problemas sanitários por lá, como agora, outros países podem ser chamados para ocupar o espaço deixado pelo gigante asiático. O Brasil, um dos principais exportadores de proteínas de origem animal, tem a chance de aumentar suas vendas para mercados que antes atendidos direta ou indiretamente pela China. A busca de fornecedores seguros já começou e não se sabe até quando vai durar.
Uma das principais vantagens do Brasil é o seu status sanitário. O país é reconhecido internacionalmente como livres de febre aftosa, e a quase totalidade dos estados são livre sem vacinação, o que aumenta a confiança dos compradores estrangeiros. Além da bovinocultura, o Brasil também é reconhecido pela excelência na produção de aves e suínos, com rígidos protocolos sanitários e de controle de enfermidades e bem-estar animal.
Com o surto chinês, países importadores podem querer diversificar suas fontes de proteínas de origem animal, buscando fornecedores que ofereçam volume de carne com segurança. O Brasil tem a grande oportunidade de aproveitar esse momento para ampliar suas exportações para mercados exigentes, como União Europeia, Japão, Coreia do Sul e até mesmo para outros países asiáticos.
Outra oportunidade está na valorização do “selo de origem” brasileiro. Com a preocupação mundial crescente sobre a origem dos alimentos, o Brasil pode reforçar campanhas mostrando que sua carne é segura, sustentável e livre de doenças. Isso pode agregar valor ao produto nacional e abrir portas para novos contratos. Alguém tem visto isso acontecer?
Mas, para aproveitar essas oportunidades, o Brasil precisa continuar vigilante. Manter a sanidade animal, investir em biosseguridade nas fazendas e comunicar rapidamente qualquer suspeita de doença são atitudes essenciais. Se o país garantir que está livre de problemas, pode se tornar ainda mais relevante no prato de milhões de pessoas ao redor do mundo.
O surto de febre aftosa na China não é só um alerta para os riscos da doença para todo o mundo, inclusive para nós brasileiros; mas também é uma oportunidade para o Brasil mostrar sua força e conquistar ainda mais espaço no mercado global de proteínas de origem animal.
Mas será que em um ano político, nossas autoridades estarão preocupadas em fazer propaganda da nossa carne ou em ampliar suas bases políticas para garantir a perpetuidade nos cargos? Tomara que tenhamos habilidade, pois os americanos e australianos já estão se movimentando para garantir sua fatia de mercado.

