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Gengibirra mostra o empreendedorismo feminino atrelado às manifestações culturais afromacapaenses.
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No Dia da Cachaça, conheça aguardente amapaense à base de gengibre

Aline Paiva, jornalista.

A gengibirra, principal bebida à base de cachaça da cultura amapaense, está enraizada no coração dos macapaenses. Isso porque ela representa as manifestações tradicionais do Amapá, em especial o Marabaixo. Nesta segunda-feira (13), Dia Nacional da Cachaça, ela é a protagonista desta reportagem especial.

A gengibirra é feita com base da raiz gengibre, água, açúcar e cachaça. A bebida embala as manifestações marabaixeiras, sendo reconhecida como patrimônio imaterial do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Receita de família

Laura do Marabaixo (Arquivo Pessoal)

Seu néctar está presente durante o Ciclo do Marabaixo, festividade regada a fé e devoção à Santíssima Trindade e ao Divino Espírito Santo.  Também pode ser encontrado no Mercado Central e nas diversas feiras produzidas pela Prefeitura de Macapá. Lugares em que a professora e marabaixeira Laura Ramos, de 47 anos, comercializa sua gengibirra, produzida com uma receita que é herança de família.

A gengibirra nasceu com o Marabaixo, assim como Dona Laura, que é bisneta do mestre Julião Ramos e neta de Benedita Guilerma Ramos, a Tia Biló, precursores da cultura no Amapá. A integrante da Associação Folclórica Raimundo Ladislau trabalha há mais de 20 anos com gengibirra, receita que aprendeu com a avó. “Por ser a neta mais velha, aprendi tudo com a minha avó. Não tínhamos ralador, então ela furava latas para podermos ralar as raízes de gengibre. Daí deixávamos de molho. Nessa época, não levava água ardente, o teor alcoólico vinha do processo de fermentação.  Depois de coada, era acrescentada açúcar, e muito antes da vovó, os mais velhos usavam mel de abelha’’, conta Dona Laura.

Segundo a professora, o processo iniciava uns 20 dias antes da programação do Ciclo do Marabaixo. O período era necessário para uma fermentação eficaz. “A gengibirra tradicional precisava desse tempo. A fermentação deixava o sabor meio cítrico, diferente do que conhecemos na atualidade. A gengibirra da vovó ainda tinha um diferencial, pois ela colocava uns cravinhos da índia para dar um toque no sabor’’, explica.

Como fazer

Para os marabaixeiros, a bebida significa resistência através de suas raízes culturais. Cada pessoa possui seu formato de preparo. Todos embasados aos conhecimentos adquiridos com as famílias tradicionais que iniciaram essa cultura. “A gengibirra tem uma função dentro das rodas de marabaixo. Ela não surgiu no intuito de embebedar ninguém. A bebida surgiu com a finalidade de manutenção das cordas vocais dos cantadores na hora de puxar os ladrões. Na época dos meus bisavôs não existiam equipamentos de sonorização. E tem momentos que o marabaixo amanhece, e haja garganta para cantar das 16h até de manhã’’, relembra Dona Laura.

Nos tempos atuais, em uma explicação mais rápida, o preparo da bebida inicia com a higienização e corte da gengibre. Após esse processo, a planta é batida com água no liquidificador. Em seguida, a mistura é peneirada e o líquido restante é misturado a açúcar e cachaça. Depois de pronta, precisa ser refrigerada, pois costuma ser servida gelada.

Gengibirra Marabaixeira

Laura iniciou a comercialização no Encontro dos Tambores e hoje vende através das mídias digitais, principalmente agora com a pandemia do coronavírus. A empreendedora é dona da marca Gengibirra Marabaixeira, reconhecida pelo sabor diferenciado, dotado de ancestralidade. As encomendas podem ser feitas através do telefone (96) 99152-6894.

“Não vendo o meu produtor por vender. Me preocupo mesmo em fazer desse dele um elemento representativo da cultura do marabaixo, por meio de um olhar empreendedor. A gengibirra acima de tudo precisa trazer lucro para dentro das casas tradicionais’’, finaliza.

 

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