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ÁREA DE SOJA E MILHO CRESCE 71,7% NO AMAPÁ

De acordo com dados da Associação dos Produtores Rurais do Amapá – APRAP, ano de 2023 fechou com 6.500 hectares de soja e 3.400 hectares de milho plantados, enquanto a área plantada em 2024 é de 11.000 hectares de soja e 6.000 de milho, totalizando 19.000 hectares cultivados com as duas culturas, o que faz o Amapá retomar aos patamares de 2020, quando a área plantada foi de 20.300 hectares.

O crescimento da área de soja 2023/2024 é de 71,7%, e se deve sobretudo pelo licenciamento de terras que já produziam antes dos conflitos jurídicos ocorridos em 2019, responsáveis pelo embargo de 76,3% das áreas em produção no estado. Destacam-se a capacitação dos municípios no processo de licenciamento e, principalmente, a recuperação da capacidade do órgão licenciador do Estado do Amapá, a Sema, em atuar na garantia de uma maior segurança jurídica e ambiental.

Segundo a Secretária de Estado do Meio Ambiente, Taíse Mendonça, a busca pela troca de experiência com o Estado de Roraima, por meio de acordo de cooperação técnica, foi essencial, visto as condições históricas, legais e socioambientais similares às do Amapá, incluindo o repasse de tecnologias, a exemplo de um sistema eletrônico de licenciamento ambiental. Além disso, a Sema investiu em capacitação de equipe de trabalho e no melhoramento de processos, resultando no lançamento de 26 termos de referência reformulados, obtendo mais de 500 participações, e a celeridade dos 35 processos de licença remanescentes de 2022. A Secretária considera que “é estratégico para o desenvolvimento do Amapá o poder público destravar, dentro da legalidade e transparência, as amarras burocráticas para que o setor privado tenha o protagonismo de realizar investimentos e gerar emprego e renda no estado”.

A soja e o milho são duas das culturas mais versáteis do mundo, com uma ampla gama de usos que vão desde alimentos para humanos e animais até produtos industriais. Seus óleos são utilizados para cozinhar, fazer biodiesel e na produção de uma variedade de produtos alimentícios. Além disso, são fonte valiosa de proteína, amido e valores de energia metabolizáveis para ração animal. Assim, a produção de soja e milho desempenha um papel vital em diversas indústrias, o que a torna um pilar da economia em muitos países.

A produção de soja e milho é intensiva em mão de obra, especialmente durante as fases de plantio e colheita. Os empregos diretos na produção de soja e milho incluem agricultores, operadores de máquinas agrícolas, técnicos agrícolas, engenheiros agrônomos e trabalhadores de armazéns. A quantidade de empregos diretos gerados por hectare plantado varia conforme a tecnologia empregada, mas é significativa em qualquer cenário.

Além dos empregos diretos, a produção de soja também gera uma quantidade substancial de empregos indiretos. Esses empregos incluem trabalhadores nas indústrias de processamento, transporte, logística, embalagem, marketing e distribuição. Por exemplo, o transporte da soja e do milho dos campos para os locais de processamento e exportação envolve uma série de etapas que exigem mão de obra. Da mesma forma, o processamento dos grãos em óleo, farelo e outros subprodutos também empregam muitas pessoas.

O complexo soja, por exemplo, que se refere à cadeia produtiva que envolve a soja, desde a preparação do plantio até o processamento e a comercialização dos seus derivados, tem grande relevância na geração de empregos. Para o economista Ignacy Sachs (2004), e o pesquisador da Embrapa Décio Gazzoni (2000), o complexo soja gera 0,2 empregos por hectare, nas etapas antes da porteira, porteira para dentro e depois da porteira. Ainda, para Roessing e Lazzarotto (2004), a geração de empregos no complexo soja é de 0,24 por hectare plantado.

A correlação acima aplicada à projeção de potencial de área agricultável nas culturas de soja e milho do estado do Amapá, considerando estudos preliminares do ZEE, que ficaria em torno de 400 mil hectares e, ainda, uma escala vertical no processo de produção e agregação de valor, temos números próximos de 80 mil empregos gerados.

As vantagens comparativas do Amapá para a produção de grãos se completa pelo alto nível de sustentabilidade ambiental, possuindo 81,5% de seu território composto por áreas legalmente atribuídas às reservas naturais e terras indígenas, quilombolas e assentamentos; por ter o porto do Arco Norte mais ao extremo brasileiro, portando o mais próximo dos mercados do Caribe, EUA e Europa; o melhor custo-benefício de logística interna do país, configurada por áreas produtivas próximas ao porto de Santana; e, ainda, por apresentar segurança climática, com janelas para produção bem definidas e luminosidade e volumes pluviométricos abundantes.

A organização do Estado na garantia de uma segurança jurídica ativadora da injeção de recursos privados no Amapá, como investimentos para desenvolver os agronegócios na região, carecem de diálogos transversais construtores de uma segurança política e ambientação de negócios não-hostil e favorável no alcance de um modelo de desenvolvimento singular, onde a segurança ambiental seja um pilar de inovação e diferenciação na inserção do estado do Amapá nos mercados nacional e mundial.

 

 

 

 

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