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Produtos da sociobiodiversidade do Amapá são objeto de estudo científico para SATs e Indicação Geográfica (IG)
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Produtos da sociobiodiversidade do Amapá levam pesquisadora à Europa

Dulcivânia Freitas, jornalista

O projeto “Indicação Geográfica (IG) e Sistema Agrícola Tradicional (SAT) como instrumentos para a sustentabilidade da produção e valorização dos saberes locais na Amazônia: Estudo de caso do açaí no Território do Bailique (Amapá, Brasil)”, da pesquisadora da Embrapa Amapá, Ana Euler, foi selecionado pelo Programa de Capacitação Pesquisador Visitante da Embrapa. Durante um ano, a engenheira florestal estará dedicada a atividades de intercâmbio na França, país onde estão localizadas as instituições parceiras do plano de trabalho.

“Iniciar este programa durante a pandemia foi um grande desafio, mas tenho certeza que vai valer a pena. Paloc e Cirad são instituições de excelência em pesquisas ligadas a desenvolvimento territorial e globalização, com projetos em todos as regiões tropicais do mundo. Está sendo um momento de trocas e muito aprendizado, acima de tudo adaptação a uma nova realidade e compreensão sobre o valor atribuído a Amazônia, seus povos e produtos”, destacou Ana Euler, que já está instalada na França.

O objetivo geral é analisar a experiência do Protocolo Comunitário do Bailique e discutir Indicação Geográfica e Sistema Agrícola Tradicional (SAT) como possíveis mecanismos de proteção dos saberes locais, conservação da agrobiodiversidade e valorização dos produtos da sociobiodiversidade do Amapá, com foco na cadeia produtiva do açaí. Bailique é um arquipélago, distrito ribeirinho do município de Macapá (AP). A construção do Protocolo do Bailique envolveu a participação de 30 comunidades deste território e diversas instituições não governamentais e públicas, incluindo a Embrapa.

Intercâmbio

Pesquisadora Ana Euler, da Embrapa Amapá, em frente ao Museu Nacional de História Natural da França, em Paris.

A agenda de imersão da pesquisadora no exterior inclui estudo das experiências do Museu Nacional de História Natural da França, sobre práticas de valoração do patrimônio imaterial associado aos saberes; além de participação em seminários, colóquios e intercâmbio de experiência e pesquisa com pesquisadores deste Museu. Durante um período haverá deslocamento até a Itália para o intercâmbio com equipe de Sistemas Engenhosos do Patrimônio Agrícola Mundial (GHIAS em inglês) atuante em Roma, onde Ana Euler também fará atividade de vivência em Sistema Agrícola Tradicional (SAT) e entrevistas com produtores de oliveiras. Ainda está agendada a participação em seminários, colóquios e intercâmbio de experiência e pesquisa com pesquisadores do Departamento de Innovation/ Cirad, localizado em Montpellier (França), e vivência Indicação Geográfica selecionados em Montpellier.

O principal resultado do estudo é o conjunto de informações sobre os diferentes sinais distintivos (IG, SAT e outros) para elaboração de estratégia de proteção dos saberes locais, conservação da agrobiodiversidade e valorização dos produtos florestais não madeireiros, com foco na cadeia produtiva do açaí e Território do Bailique, e no Zoneamento Econômico e Ecológico do Amapá.

Patrimônio mundial

Como especialista na área de manejo de recursos naturais e cadeias da sociobiodiversidade, Ana Euler almeja aprimorar seus conhecimentos nas áreas das ciências sociais, antropológicas e econômicas e agregá-los às atividades no Amapá. Algumas ações e entrevistas foram realizadas antes da saída da pesquisadora para o programa de Cientista Visitante, com agentes das comunidades e instituições como Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Universidade do Estado do Amapá (Ueap), Prefeitura Macapá e organizações não-governamentais. O resultado dos levantamentos, entrevistas e análises será debatido com os pesquisadores do Museu de História Natural/Paloc e Cirad/Innovation em Colóquio ao final do programa de treinamento Visitante Cientista. “Posteriormente, no Brasil, a proposta é integrar os conhecimentos à política de Zoneamento Econômico e Ecológico do Amapá e a uma possível candidatura do Bailique ao circuito dos Sistemas Engenhosos do Patrimônio Agrícola Mundial (GHIAS em inglês)”, concluiu a pesquisadora.

 

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